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Do Valle Del Mis a Flores da Cunha - Uma tradição vinícola que atravessou o Atlântico
Em torno do ano de 1300 tem-se a primeira notícia escrita da família Mioranza. Radicada nos arredores de Feltre, a principal atividade econômica da família era o cultivo de parreiras e a fabricação de vinhos.
Pouco antes de 1700, uma parte da família se transfere para o Valle Del Mis, distrito de Sospirolo, província de Belluno, Norte da Itália. Neste Valle a tradição vinícola Mioranza cresce e atinge o mercado de Feltre, Treviso, Veneza, Belluno, Trento e Padova.
Na primeira metade do século XIX os parreirais da região alpina de Belluno são atacados por pragas e a produção de vinho cai bruscamente. Abalado com tal crise, Pietro Mioranza decide então migrar para a América.
No dia 14 de novembro de 1883, embarca no porto de Gênova com destino ao Brasil. Em janeiro de 1884 desembarca em Porto Alegre e segue para a colônia de Caxias, onde lhe destinam o lote número 13, do Travessão Alfredo Chaves. Pietro Mioranza é o primeiro a chegar no Travessão e juntamente com outras duas famílias, que logo vieram a residir ali, batizam o local de Nova Veneza em homenagem ao mercado italiano de maior prestígio para seus vinhos.
Pietro havia trazido do Valle Del Mis algumas mudas de parreira. Essas parreiras seriam a semente transplantada na América da tradição vinícola Mioranza. O começo foi duro, penoso, mas frutificou. Frutificou em uvas que fizeram de Pietro, em poucos anos, o maior comerciante de vinhos da Nova Veneza.
Pietro Mioranza prosperava, quando uma súbita pneumonia lhe ceifou a vida em 1909. A tradição dos bons vinhos Mioranza tinha, porém, vingado também nas terras americanas e teve continuidade em seus filhos, netos e bisnetos. Do conhecimento, dedicação e tradição empregados pela família Valdecir José Mioranza, bisneto de Pietro Mioranza, desde a longínqua Itália, no Valle Del Mis, resultaram os vinhos varietais Valdemiz, elaborados a partir de uvas viníferas Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Tanat e Malvasia de Cândia e os vinhos de mesa Monte Reale, produzidos a partir das variedades Bordô, Moscato, Isabel e Niágara.
Das encostas dos Alpes do Valle Del Mis, de onde surgiu, para a serra gaúcha, onde se transplantou, os vinhos Valdemiz e Monte Reale, conservam um sabor de vinhos alpinos italianos, conferindo-lhes um paladar serrano de terras brasileiras.
Os vinhos Monte Reale possuem, portanto, uma tradição de mais de sete séculos.
Famílias Valdecir Mioranza e Lídia Sonda Mioranza
Enio Mioranza
Eleida Mioranza Soldatelli
Elisete Mioranza
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