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VINHOS E SABORES


Dicas e Curiosidades

HISTÓRIA DO VINHO NO BRASIL

As primeiras videiras foram introduzidas no Brasil por Martim Afonso de Sousa, em 1532, na capitania de São Vicente. As cultivares, que posteriormente se espalhariam por outras regiões do Brasil, eram da qualidade Vitis vinifera, oriundas de Portugal e da Espanha.

No mesmo ano, o fundador da cidade de Santos, Brás Cubas, foi o primeiro a tentar cultivar videiras de forma mais ordenada. No entanto, da mesma forma que a tentativa precedente, não obteve muito êxito. Em parte, o insucesso da produção de vinhos deu-se pelo protecionismo comercial exercido por Portugal, tendo a corte inclusive proibido o cultivo de uvas, em 1789.

No Rio Grande do Sul, as primeiras videiras foram introduzidas pelos padres jesuítas ainda em 1626, posto que necessitavam do vinho para os rituais da missa católica. A introdução de cultivares européias no Rio Grande se deu com a chegada dos imigrantes alemães, que obtiveram bons resultados.

As videiras americanas, especialmente das espécies Vitis labrusca e Vitis bourquina (variedades Isabel, Concord e outras) foram importadas em 1840 pelo comerciante Thomas Master, que as plantou na Ilha dos Marinheiros. Estas uvas serviam basicamente para o consumo in natura, na forma da fruta fresca ou passas, mas se adaptaram tão bem ao clima local que logo começaram a ser utilizadas para a produção de vinho.
               
A viniviticultura gaúcha teve um grande impulso a partir de 1875, com a chegada de imigrantes italianos, que aportaram com videiras trazidas principalmente da região do Vêneto - e uma forte cultura de produção e consumo de vinhos. Apesar do sucesso inicial, as videiras finas não se adaptaram ao clima úmido tropical e foram dizimadas por doenças fungícas. Porém, com a adoção da variedade Isabel, então cultivada pelos colonos alemães no Vale do Rio dos Sinos e no Vale do Caí, deu-se continuidade à produção de vinhos que, tornando-se base do desenvolvimento da vitivinicultura no Rio Grande do Sul e em São Paulo.       
         
Mas foi somente a partir da década de 1990 que vinhos de maior qualidade passaram a ser produzidos, com crescente profissionalização e a adaptação de uvas finas (Vitis vinifera) ao clima peculiar da Serra Gaúcha.


HISTÓRIA DO VINHO

O vinho possui uma longínqua importância histórica e religiosa e remonta diversos períodos da humanidade. Cada cultura conta seu surgimento de uma forma diferente. Os cristãos acreditam que foi Noé quem plantou um vinhedo e com ele produziu o primeiro vinho do mundo. Do ponto de vista histórico, sua origem precisa é impossível, pois o vinho nasceu antes da escrita. Os enólogos dizem que a bebida surgiu por acaso, talvez por um punhado de uvas amassadas esquecidas num recipiente, que sofreram posteriormente os efeitos da fermentação. Mas o cultivo das videiras para a produção do vinho só foi possível quando os nômades se tornaram sedentários. Existem referências que indicam a Geórgia como o local onde provavelmente se produziu vinho pela primeira vez, sendo que foram encontradas neste local graínhas datadas entre 7000 a.c. e 5000 a.c.

Os egípcios foram os primeiros a registrar em pinturas e documentos (datados de 1000 a 3000 a.C.) o processo da vinificação e o uso da bebida em celebrações. Os faraós ofereciam vinhos e queimavam vinhedos aos deuses; os sacerdotes usavam-nos em rituais; os nobres, em festas de todos os tipos; as outras classes eram financeiramente impossibilitadas de sua compra. O consumo de vinho aumentou com o passar do tempo e, junto com o azeite de oliva, foi um grande impulso para o comércio egípcio, tanto o interno quanto externo. Os primeiros enólogos foram egípcios.

A partir de 2500 a.C., os vinhos egípcios foram exportados para a Europa Mediterrânea, África Central e reinos asiáticos. Os responsáveis por essa propagação foram os fenícios, povo oriundo da Ásia Antiga e natos comerciantes marítimos.

Em 2 mil a.C., chegaram à Grécia. Cultivado ao longo da costa do Mediterrâneo, o vinho seria cultural e economicamente vital para o desenvolvimento grego. No mundo mitológico, Dionísio, era o deus das belas artes, do teatro e do vinho. A bebida tornou-se mais cultivada e cultuada do que jamais fora no Egito, sendo apreciada por todas as classes. A partir de 1000 a.C., os gregos começam a plantar videiras em outras regiões européias. A bebida embriagou a Itália, Sicília, seguindo à península Ibérica. Os gregos fundaram Marselha e comercializaram o vinho com os nativos, sendo este o primeiro contato entre a bebida e a futura França.

Em Roma os vinhedos eram cultivados em áreas interioranas e regiões conquistadas. Os romanos levavam o vinho quase como uma “demarcação de território”, uma forma de impor seus costumes e sua cultura nas áreas que conquistavam. Junto com os romanos, os vinhedos chegaram à Grã-Bretanha, à Germânia e, por fim, à Gália ― que mais tarde viria se chamar França. Nos séculos seguintes, cidades como Borgonha e Tréveris surgiram como centros de exportação de vinhos, que inclusive eram superiores aos importados. A predileção da época era pelo vinho doce. Os romanos colhiam as uvas o mais tardar possível, ou adotavam um antigo método, colhendo-as imaturas e deixando-as no Sol para secar e concentrar o açúcar. Diferente dos gregos, que armazenavam a bebida em ânforas, o processo romano de envelhecimento era moderno. O vinho era guardado em barris de madeira, o que aprimorava o sabor do vinho (o mesmo ainda é feito no cultivo das videiras ao sul da Itália e de Portugal). Ao lado do Império, o vinho atingiu o apogeu nos séculos I e II. Na mesma época, as hordas bárbaras que atacavam Roma aumentavam, e as guerras se tornaram incessantes, fazendo declinar o Império. Sua divisão em duas partes, a Ocidental (sede em Roma) e Oriental (sede em Constantinopla) piorou o controle da situação política e econômica, defasando vários setores. O vinho importado se tornou superior, diminuindo o lucro dos vinhedos romanos e tornando a vinicultura interna cara e fraca. As inúmeras baixas do exército e a constante perda de terras fizeram o Império Romano dar seus últimos passos. Em 476, após a queda do último imperador, o Império Romano Ocidental entrou em colapso. Mas o vinho já não fazia parte de Roma. Era maior, assumira vida própria.

Sucedendo a queda romana, uma grande crise abateu a Europa. Províncias foram reduzidas a reinos de futuro impreciso que se relacionavam mal, causando grande instabilidade econômica. A produção do vinho sofreu então um retrocesso neste continente. Já não envelhecia mais em barris de boa madeira, o que implica no aumento do tempo de oxidação da bebida. Como consequência, seu consumo tinha que ser imediato, perdendo a áurea de fineza dos vinhos antigos. A vinicultura somente voltaria a ser beneficiada com o surgimento de um grande poder religioso: a Igreja Católica.

Desde o século IV, quando o imperador romano Constantino converteu-se ao cristianismo, a Igreja fortaleceu-se como instituição. Foi considerada a detentora da verdade e da sabedoria. O simbolismo do vinho na liturgia católica não poderia ter enfoque maior: era o sangue de Cristo. A Igreja começou a se estabelecer como proprietária de extensos vinhedos nos mosteiros das principais ordens religiosas da Europa. Os mosteiros eram recantos de paz, onde o vinho era produzido para o sacramento da eucaristia e para o próprio sustento dos monges. Importantes mosteiros franceses se localizavam em Borgonha e Champagne, regiões que foram e são “nascentes” de vinhos de qualidade. A bebida também se sobressaiu no setor médico: acreditava-se que vinho aromatizado possuía propriedades curativas contra diversas doenças. Com o aprimoramento das receitas, surgiram outros vinhos além do tinto, como os brancos, rosés e espumantes. Por volta do século XIII, as cruzadas católicas livraram o Mar Mediterrâneo do monopólio árabe, possibilitando a exportação do vinho pelas vias marítimas.

Com as grandes navegações, o continente americano recebeu os vinhedos durante o período de colonização espanhola. Cristóvão Colombo trouxe uvas às Antilhas em 1493, e após a adaptação às terras tropicais, as videiras foram exportadas para o México, os Estados Unidos e as colônias espanholas na América do Sul.

Já com a Revolução Industrial, no século XVIII, o vinho perdeu muito em qualidade, porque passou a ser fabricado com técnicas bem menos rústicas, para possibilitar sua produção em massa e venda barata. Embora as antigas tradições tentassem ser preservadas em regiões interioranas francesas, italianas e alemãs, a produção vinícola sofreu modificações irremediáveis para adaptar-se ao mundo industrializado.

No século XX, a vitivinicultura evoluiu muito, acompanhando os avanços da tecnologia e da genética. O cruzamento genético das cepas das uvas, a formação de leveduras transgênicas e a produção mecanizada elevaram substancialmente a qualidade e o sabor do vinho, feito sob medida para agradar os mais diversos paladares.




Serviço do Vinho


TAMANHO DAS TAÇAS

A escolha da taça ideal é importante para apreciarmos um vinho corretamente, todos devem  possuir haste e transparência.

Para cada tipo de produto possuem características diferenciadas:

Vinhos Brancos:  pelo fato deste vinho ser servido mais gelado as taças são menores para que a bebida seja colocada no copo em pequenas quantidades, de forma que o vinho seja sempre reposto e, assim, não esquente.

Vinho Tinto: para este tipo de vinho, recomenda-se as taças mais bojudas e com bordas mais estreitas, o tamanho auxilia na expansão dos aromas. A borda estreita mantém o aroma concentrado e em direção ao nariz.

Espumante: são usadas as taças conhecidas como tulipa, que são compridas e finas para manter a efervescência da bebida por mais tempo. Lembre de não agitar a taça para degustar espumante.




Vinho e Saúde

Vinho e chocolate são poderosos anticancerígenos

O vinho tinto e o chocolate amargo são remédios poderosos contra o câncer, segundo estudo apresentado por especialistas em uma conferência na Califórnia (oeste dos EUA).
 
"Estamos classificando os alimentos segundo suas qualidades como anticancerígenos", disse William Li, titular da Fundação Angiogenesis, sediada em Massachusetts (nordeste). "O que comemos é realmente nossa quimioterapia três vezes por dia", acrescentou.
 
Os pesquisadores compararam alguns alimentos com medicamentos utilizados em tratamentos contra o câncer e descobriram que a soja, a salsa, as uvas escuras, morangos, framboesas e outros alimentos são tão ou mais potentes para combater um tumor do que remédios. Consumidos juntos, esses alimentos resultaram ainda mais poderosos no combate às células cancerosas, segundo o estudo.

"Descobrimos que a mãe natureza criou uma grande quantidade de alimentos com propriedades antiangiogênicas", enfatizou Li, referindo-se à capacidade destes alimentos de reduzir a multiplicação de células malignas.
 
Fonte: France Presse, em Long Beach



Composto presente no vinho teria propriedades anticancerígenas

Um brinde ao vinho: além de sua capacidade antioxidante, que pode reduzir os riscos de doenças cardiovasculares, a bebida tem um composto que induz a morte de células cancerígenas. A constatação é do Programa de Oncologia da UFRJ, que isolou a substância da bebida para estudá-la.

O estudo, porém, não justifica um porre. Coordenadora da pesquisa, Eliane Fialho, professora do Instituto de Nutrição da universidade, pondera que o resveratrol - o composto em questão - sofre modificações durante sua digestão. Para que seus efeitos sejam sentidos, o ideal é alimentar-se regularmente de hortaliças que contenham a substância. O conselho, ressalte-se, não significa um cardápio restrito.

- Mais de 70 alimentos têm o resveratrol - assinala Eliane. - São plantas que, além dos nutrientes, têm compostos bioativos que diminuem o risco do desenvolvimento de doenças crônicas, como câncer e diabetes. Mas não adianta se entupir de uma delas em um dia e depois só voltar a ingeri-las daqui a um mês. É preciso consumi-las diariamente.

Uvas de casca escura e amendoim também contam com resveratrol, mas é no vinho tinto que o composto está mais solúvel. Os estudos relacionados à substância intensificaram-se nos últimos 15 anos. A maioria das pesquisas, porém, atua apenas com modelos em laboratório, sem testes clínicos.

- O resveratrol tem efeito em células de alguns tipos de câncer, entre eles mama, próstata e pulmão. Há perda do composto no organismo, antes de ele chegar à corrente sanguínea e aos tecidos-alvo. Por isso, tomar uma taça de vinho não é suficiente para inibir o câncer - explica a pesquisadora da UFRJ.

A substância, de acordo com levantamentos recentes, leva à morte natural de células cancerígenas e regula os níveis de p53, uma proteína supressora de tumor. A equipe de Eliane percebeu que, quanto maior o grupo do resveratrol, mais rápido o câncer é atacado.
 
Substância age até contra obesidade
 
Embora seu papel anticancerígeno ainda careça de novos estudos, o resveratrol já coleciona títulos. O composto, conhecido como um antibiótico natural, é, também, anti-inflamatório, aumenta a expectativa de vida, atua contra o diabetes e ataca a obesidade.
- A presença do resveratrol é mais um motivo para consumir frutas e hortaliças. A Organização Mundial de Saúde recomenda o consumo de 400 gramas desses alimentos por dia. É o suficiente para evitar doenças crônicas. Cerca de 30% dos casos de câncer tem origem na dieta inadequada. É um percentual maior do que o atribuído a fatores genéticos (aproximadamente 20%).

O Programa de Oncologia, agora, testa a associação do resveratrol com drogas quimioterápicas em culturas de células de câncer de mama. A expectativa é de que seja possível preparar um composto que, embora tenha essas drogas em menor quantidade, consiga reduzir os sintomas desagradáveis de um tratamento.

Fonte: Renato Grandelle - O Globo
Publicada em 26/02/2010


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